- Três Estilos Diferentes? (Conclusão) -
Conclusão
– Uma agenda apostólica: Jesus veio implantar uma nova cosmovisão, uma nova cultura (crenças, valores e comportamentos). Essa cultura é a do Reino. Por isso ensinou a orar: Venha teu Reino, seja feita tua vontade na terra como no céu.
Creio que a chave para que a igreja volte a ser coluna (stylo) da verdade é restauração completa das colunas (styloi) da igreja, que são os apóstolos: “Com efeito, Tiago, Pedro e João, que eram considerados colunas (styloi), reconhecendo a graça que eu havia recebido, nos estenderam a destra a Barnabé e a mim em sinal de companheirismo. De modo que nós fossemos aos gentios e eles aos judeus” (Gl 2:9). Somente como sugestões que ilustram o ponto, permitam-me dar oito pistas do que creio ser urgente para que a igreja reflita a cultura do Reino, e não a cultura imperante do mundo, para que seja verdadeiramente coluna (stylo) da verdade:
1. Um ministério apostólico que trabalha prioritariamente pela unidade da igreja em cada cidade: Segundo o Novo Testamento há uma só igreja em cada cidade. Segundo Jesus a unidade é requisito para o avivamento: que sejam um para que o mundo creia.
Quanto mais na sociedade fragmentada do mundo pós-moderno.
Segundo Efésios 3, esta tarefa apostólica, não tem relação direta com o tamanho do ministério de alguém em uma cidade, mas com a revelação recebida do mistério da igreja, como um só corpo em uma cidade: “Como me foi este mistério manifestado pela revelação… O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas… A mim, o mínimo de todos os santos” (Efesios 3.3,5-6,8). A unidade da igreja em sua cidade deve ser prioridade na agenda de um apóstolo.
2. Um ministério apostólico que estabeleça o presbitério da cidade: Essa unidade será impossível se os ministérios apostólicos em uma cidade não se integram com uma visão do Reino e estabeleçam o presbitério da cidade, agrupando a todos o pastores da cidade para começar a funcionar como estabelece Efésios 4, segundo os ministérios, para que a igreja da cidade cumpra seu ministério na cidade.
Em muitas partes do mundo tem-se avançado na unidade por meio da formação de Conselhos e Fraternidades de Pastores.
Esse tem sido um passo que coopera para a unidade. Mas ainda é insuficiente para poder concretizar a unidade.
O modelo dessas responde a uma visão mais institucional que espiritual missiologica.
Devemos passar ao presbitério da cidade. Onde os cinco (ou quatro) ministérios de Efésios 4 se liberem para a igreja cumpra sua função de ministrar, não tão somente ao rebanho, mas a cidade.
3. Um ministério apostólico que pastoreie aos pastores: A necessidade número um dentro da igreja contemporânea são os pastores.
Estão órfãos, estão sem rumo, estão mal formados, estão necessitados de saúde emocional. Estão necessitados de paternidade apostólica. Num tempo em que os apóstolos se preocupam com a expansão do evangelho e o crescimento numérico da obra, é indispensável servir no amadurecimento da liderança, em especial dos pastores.
4. Um ministério apostólico que encha as cidades com o didaché: O sumo sacerdote disse aos apóstolos: Dizendo: “Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina”. Os apóstolos responderam: “É necessário obedecer a Deus antes do que aos homens” (At 5.27-29). Obedecer a Deus antes que aos homens implicava encher a cidade da didaché.
Quando o cristianismo produz uma mudança cultural, uma mudança da cosmovisão no mundo judeu e no mundo grego, uma das tarefas essenciais dos apóstolos foi o ensinamento. Por isso os adversários lhes ordenava que não ensinassem. Mas eles encheram a cidade com a doutrina.
Com a pós-modernidade, se faz preciso neste momento de mudança cultural, nessa mudança de cosmovisão, reforçar o ensino apostólico, isto é o ensino da cosmovisão do Reino, por boca dos apóstolos, para que a gente saiba como viver.
E perseveravam na doutrina dos apóstolos (At 2:42). Não de pastores, mas de apóstolos. Porque os pastores hoje não tem claro a didaché neotestamentária.
É necessário um forte reforço do ministério apostólico com o ensinamento.
5. Um ministério apostólico que mire a realidade desde os mais necessitados: Alegramo-nos com a consciência crescente na igreja de sua necessidade de exercer influência em todos os âmbitos da realidade incluindo o político. No entanto, atrás dessa mentalidade de conquista, e não de redenção, há muito de busca de poder, e pouca visão bíblica da política que começa, precisamente, vendo o político com os olhos das vítimas. Tão sensíveis como somos na America Latina ao tema dos direitos humanos, poucas são as vozes que se levantam para denunciar as perseguições e mortes que nossos irmãos sofrem no mundo islâmico.
Permitam-me, diante do evangelho do show divertido, diante aos pseudo apóstolos da ostentação, honrar os irmãos que nestes dias estão sendo perseguidos em Ossira e outros lugares da terra.
Se Deus tem visto a opressão de seu povo, que sejamos também capazes de ver.
O mesmo em relação aos que sofrem injustiça, miséria marginalização.
A condição sine qua non que os apóstolos impuseram a Paulo para reconhecê-lo como tal foi que não se esquecesse dos pobres (Gálatas 2.10).
Quando vemos hoje a caricatura do ministério apostólico, que entre outras coisas tem mudado a condição sine qua non da atenção aos pobres aos que sofrem, por uma teologia da prosperidade, que ignora o sofrimento, é necessário um ministério apostólico que com urgência recupere essa visão bíblica, superando o assistencialismo e guiando processos de transformação social e promoção humana.
6. Um ministério apostólico respaldado por sinais, maravilhas e prodígios: No mundo da pós-modernidade, onde a verdade é absolutamente relativa, e a verdade do evangelho, é somente “nossa verdade”, essa “nossa verdade” precisa o respaldo dos sinais e milagres.
Esperar que Deus respalde a palavra com sinais e milagres, de maneira tal que seja manifesta a intervenção de Deus na história.
O ensino apostólico e os sinais apostólicos são duas colunas para a unidade dos pastores em uma cidade.
O ensino apostólico nivela e os sinais convocam e unem a liderança em uma cidade: “e pelas mãos dos apóstolos havia muitos sinais e prodígios no meio do povo; e estavam todos unânimes no pórtico de Salomão” (At 5:12)
O ensinamento e os sinais caminham juntos. Rejeitamos a dicotomia entre ministérios docentes e ministérios de poder. Nicodemos pode reconhecer a autenticidade do ensino de Jesus pelos sinais que fazia: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” (Jo 3:2)
7. Um ministério apostólico com um plano estratégico para o mundo: O ministério apostólico em uma cidade estabelece o Presbitério da cidade: “estabelecesses anciãos em cada cidade como te mandei” (Tt 1:5). E o presbitério da cidade, por sua vez, reconhece o ministério apostólico emanado dessa cidade: “E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13:1-3).
O Presbitério da cidade, inspirado por seus apóstolos, estabelecem um plano para a cidade. Por sua vez, os ministérios apostólicos reconhecidos do mundo, devem reunir-se não somente para compartilhar, mas também para receber revelação para um plano estratégico para o mundo, que seja eficiente para alcançar a cultura presente.
Nesta apresentação, vimos às características negativas dessa realidade, mas a cultura da pós-modernidade, também oferece oportunidades extraordinária para a extensão do evangelho.
8. Um ministério apostólico em permanente busca do Espírito: Todos os que estamos aqui, fomos formados na cultura da modernidade, mas devemos ministrar na cultura da pós-modernidade.
Todos os que estamos aqui nascemos na etapa do Protestantismo Pentecostal-Carismático, mas somos testemunhas de um Protestantismo de Ficção que devemos mudar.
Todos que estamos aqui fomos formados para liderar uma congregação “local”, porém logo descobrimos que a ênfase bíblica de que a localidade não é paróquia do templo, mas a cidade.
Todos os que estamos aqui fomos formados para defender os princípio e interesses denominacionais, muitas vezes, contra outros, porém hoje Deus nos empurra para sermos agentes ativos para a unidade da igreja na cidade.
Todos os que estamos aqui fomos chamados para pastorear ovelhas, mas logo nos vimos pastoreando pastores.
Todos os que estamos aqui fomos chamados para ser pastores, mas agora há uma demanda para uma tarefa apostólica. Isto é, em questão de poucos anos o mapa de nosso ministério foi mudado.
Estamos em uma esquina de nosso ministério, envolvidos em um processo de mudanças para as quais não fomos preparados, ministrando em uma sociedade que também está experimentando esse momento de esquina cultural, com câmbios inusitados.
Todos os que estamos aqui necessitamos ser expressão do poder e da sabedoria de Deus por meio do ensino e dos sinais apostólicos, de maneira tal que cause impacto a realidade atual. É mais que óbvio, nossa debilidade, nossa incapacidade, nossa limitação. Mas é a grande oportunidade, se nos mostramos débeis, incapazes, limitados e vulneráveis, para que Seu poder se aperfeiçoe em nossa debilidade. Por isso se faz indispensável uma busca cada vez maior e desesperada de Seu Santo Espírito.
Os apóstolos, colunas (styloi) da igreja, coluna (stylo) da verdade, necessitamos uma unção renovada do Espírito Santo para esse tempo. Diante de nós temos um tempo maravilhoso, o melhor tempo de nosso ministério.
Veremos uma igreja madura, sadia, sem manchas e sem rugas, unida.
Uma igreja que refletirá a cultura do Reino, e em amor e serviço implantará esse Reino em um mundo necessitado de Deus.
Mantenhamo-nos unidos, dependentes do Espírito, e expectantes, porque inevitavelmente a terra será cheia da glória de Deus, como as águas cobrem o mar.

